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Recolha de para-raios radioativos

Foram inúmeros os fabricantes que até meados da década de 80 se dedicaram ao fabrico de para raios radioativos. A Infocontrol identifica, mede os níveis de radioatividade e recolhe para-raios radioativos em segurança.

A Radioatividade

A radioatividade foi descoberta em 1896, pelo físico francês Henri Becquerel, que verificou acidentalmente que um sal duplo de urânio e potássio emitia radiação invisível, capaz de escurecer uma placa fotográfica.
 

Esta propriedade de certos elementos consiste na emissão de partículas e/ou energia por parte de um núcleo instável de átomos, quando estes sofrerem um processo de decaimento. Por norma, os núcleos mais estáveis são aqueles que possuem aproximadamente o mesmo número de neutrões e de protões. No entanto, nos núcleos mais pesados esta linearidade não é assim tão simples, e o que se verifica é que estes núcleos tendem a sofrer processos de decaimento para compensar o excesso de nucleões, produzindo um ou mais núcleos em condições mais estáveis e menos energéticas, pois também é libertada energia. Neste processo são libertadas partículas, que vão constituir a chamada radiação, e que caracterizam um determinado elemento radioativo.

A radioatividade existe à nossa volta, usualmente em valores não suscetíveis de causar perigo para a saúde.

Esta radioatividade chamada de irradiação natural, varia em função dos solos e rochas, pois a distribuição do urânio e rádio não é uniforme. As concentrações mais elevadas ocorrem, usualmente, em rochas graníticas (plutónicas), encontrando-se mais baixas em rochas sedimentares como os calcários. O mapa ao lado mostra a distribuição destas concentrações em Portugal.

Os efeitos da radioatividade

Os efeitos da radioatividade estão dependentes, essencialmente, da natureza da radiação do radionuclídeo, do seu tempo de vida, da quantidade assimilada e dos órgãos onde é acumulada. Nos organismos esses efeitos manifestam-se a nível somático e genético. A nível somático, a sua expressão máxima é a letalidade, que aumenta à medida que se progride na escala sistemática, sendo também elevada nos primeiros estados de desenvolvimento embrionário. A este nível são bastante frequentes doenças, como o cancro e a leucemia. No que diz respeito ao nível genético, a radioatividade é responsável por um aumento de mutações cromossomáticas, levando por vezes à inviabilidade dos gâmetas e ao aparecimento de mutações genéticas nas gerações vindouras.

Os para-raios radioativos

Alguns objetos à nossa volta contêm elementos radioativos. No passado, a radioatividade foi utilizada em inúmeros objetos, no sentido de tirar partido dos seus efeitos. Atualmente a radioatividade é utilizada de forma mais consciente e controlada. O perigo reside especialmente no manuseamento e exposição em proximidade a objetos de que se desconhece a radioatividade. Até ao momento foram listados mais de cinquenta destes objetos na Europa, os mais conhecidos são alguns antigos elementos das seguintes categorias:

  • relógios luminescentes
  • lâmpadas de gás
  • fertilizantes
  • detetores de fumo
  • para raios

Os para-raios radioativos foram os primeiros de ionização artificial a existir, a sua vantagem consistia na utilização da ionização artificial do ar a sua volta, provocada pelo elemento radioativo. Este facto permitia acelerar a ionização do ar em redor do elemento captor que se dá quando existe a aproximação do traçador descendente do fenómeno de descarga atmosférica. Deste modo é possível emitir mais rapidamente o traçador ascendente e consequentemente obter um maior raio de proteção para o sistema.

O início do seu fabrico remonta à década de 30, embora em Portugal a sua comercialização só tenha sido iniciada no final da década de 50. Apesar de estes para-raios terem sido instalados sem qualquer tipo de restrição controlo ou registo de onde foram aplicados, o trabalho que a Infocontrol tem vindo a desenvolver permite concluir que em Portugal tenham sido instalados alguns milhares destes equipamentos.

Com a tomada de consciência dos perigos da radioatividade surgiu em meados da década de 80 legislação que proíbe o fabrico e importação deste tipo de equipamentos.

Os perigos dos para-raios radioativos

Apesar do défice de informação sobre os para-raios radioativos instalados no passado, o trabalho realizado pela Infocontrol nesta área permitiu-nos obter um largo conhecimento neste campo.

Os para-raios radioativos instalados em Portugal são maioritariamente de Rádio 226 (utilizados essencialmente até à década de 60), e Amerício 241 (utilizados depois da década de 60). Os para-raios de amerício têm riscos associados à exposição relativamente moderados, só se tornando perigosos no caso de exposições a distâncias muito curtas e por períodos longos (vários dias).

Por outro lado os para-raios de rádio têm riscos extraordinariamente mais elevados, em alguns casos é possível receber a dose anual máxima de radioatividade em apenas 5 minutos, para exposições a menos de 1 metro.

Pensa-se muitas vezes que os níveis de radioatividade dos para-raios já não oferecem perigo, por estes terem sido instalados há algumas dezenas de anos. Nada mais errado! O amerício tem um período de vida de 433 anos (tempo necessário para o seu nível de radioatividade decair para metade), e o rádio um período de 16000 anos!

O perigo de exposição à radioatividade quando os para-raios se encontram no topo de estruturas é reduzido na maioria dos casos, visto que a sua radioatividade para distâncias de alguns metros é perfeitamente residual. As exceções prendem-se com situações de terraços normalmente utilizados por pessoas, que deste modo ficam por largos períodos de tempo a curtas distâncias do para-raios, ou nos casos de trabalhos realizados a curtas distâncias dos mesmos.

No entanto, temos de ter em conta que a maioria destes para-raios têm pelo menos 20 anos, o que significa que na sua generalidade se encontram em largo estado de deterioração. Efetivamente a exposição destes para-raios às condições atmosféricas (chuva, ventos, corrosão, ambientes marítimos e captação de raios, etc.) podem deteriorar os recipientes radioativos, libertando para o exterior parte do seu conteúdo, aumentado drasticamente o perigo de contaminação de pessoas e ambiente.

Os inúmeros trabalhos de recolha por nós realizados têm demonstrado a existência de muitos equipamentos cujo material radioativo foi em parte perdido!

para-raios radioativo
Para-raios radioativo recolhido pela Infocontrol

Outras desvantagens dos sistemas radioativos são a possibilidade de existir reduzida ou nenhuma eficácia causada pelo envelhecimento e deterioração dos materiais, bem como a não existência de normas na época da sua montagem que não permite à luz do quadro normativo atual, garantir que o sistema seja eficaz.

Foram inúmeros os fabricantes que até meados da década de 80 se dedicaram ao fabrico de para-raios radioativos. Este facto, conjugado com a falta de informação e registo de onde estes foram colocados, torna muito difícil a identificação destes modelos.

As figuras abaixo exemplificam alguns dos principais modelos instalados em Portugal.

Para-raios radioativo
Para-raios radioativo
Para-raios radioativo
Para-raios radioativo

O serviço de recolha da Infocontrol

 

A Infocontrol, tem vindo a desenvolver e consolidar a sua atividade nesta área, investido na aquisição de material que permite realizar os seus serviços de acordo com os mais elevados padrões de segurança, tais como recipientes de transporte em chumbo, contadores de Geiger para medição de radioatividade, entre outros. Os serviços disponibilizados pela Infocontrol são os mais vastos, e em muitos casos únicos no mercado Português, de entre os quais destacamos:

  • Identificação do para-raios radioativos
  • Medição dos níveis de radioatividade e identificação do elemento radioativo no local da instalação
  • Recolha de elementos radioativos de acordo com a legislação vigente, segundo os mais exigentes parâmetros de segurança, tanto ao nível da desmontagem como ao nível do transporte.
  • Cooperação com a COMRSIN (Comissão Nacional para a Segurança das Instalações Nucleares) e com o ITN (Instituto de Tecnologia Nuclear) para a recolha e tratamento do material radioativo. O ITN é a entidade a nível nacional com poder legal para proceder ao tratamento de elementos radioativos.
  • Entrega do certificado de recolha do ITN
  • Implementação de novos sistemas de proteção contra descargas atmosféricas não radioativos.

Legislação e Referências Normativas

  • Decreto-lei 44060 de 1961
  • Decreto-lei 9/90 de 19 de Abril
  • Decreto-lei 165/2002 de 17 de Julho
  • Decreto-lei 180/2002
  • Despacho nº 7714/2002 (2ª Série) de 13 de Abril
  • Decreto-Lei n.º 156/2013, artigo 11º e artigo 13º
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